Thiago LealEnglish Team mostra o quanto é dúbio seu favoritismoOs caribenhos, povo da região do Caribe, entre o Atlântico e Pacífico, devem ter abusado do vodu, "religião" (seita) mais popular naquela área. Afinal, marcar um gol em Trinidad & Tobago, um dos países que compõem o Caribe, tem sido mais difícil que acertar
hole in one em jogo de golfe.
Depois do surpreendente empate com a Suécia, que até hoje deve ter deixado o Ibrahimovic se perguntando por que ele não marcou, Trinidad & Tobago fez a Inglaterra suar - e muito.
Novamente o destaque do time inglês foi o meia Frank Lampard, tão eficiente na Seleção quanto no seu terreiro, o time inglês Chelsea. Lampard foi o autor das duas jogadas mais produtivas do primeiro tempo - um tiro onde o goleiro trinitino Hislop deu rebote Owen, que parecia não esperar a sobra, isolou; e uma bola cruzada venenosa que Crouch desperdiçou - afinal, o grandalhão não joga com os pés.
Mesmo com seu conjunto de craques, os ingleses foram incapazes de chegar à meta caribenha pelo chão, e passaram a depender mais que nunca do "chuveirinho" e das cobranças de falta de David Beckham. E se Crouch não acertava a cuca nos cruzamentos, Owen, novamente, deu um susto ao desviar de cabeça uma das cobranças matadoras de Beckham. Talvez, fosse 1cm mais alto, Owen tivesse marcado seu tento. Não foi dessa vez, Boy Wonder!
A parede trinitina só veio cair quando finalmente Peter Crouch, ao melhor estilo Jardel, acertou uma cabeçada fatal contra o gol de Hislop e abriu o placar, para alívio da barulhenta torcida inglesa. O outro Boy Wonder inglês, Wayne Rooney, voltou a campo. Não teve grandes oportunidades, mas deve recuperar sua velocidade e sua explosão, que o deram o apelido de "Roonaldo", quando pegar novamente ritmo de jogo.
Aos 45 minutos, Steven Gerrard fez o de costume: dominou com seu pé direito abençoado, puxou para o seu pé "ruim", o esquerdo, para livrar a marcação e mandou no ângulo direito de Hislop. Golaço de Steve G., com sua assinatura. Marca do melhor jogador em atividade na Europa ao lado de seu companheiro Frank Lampard. E com 2x0, a Inglaterra se garante nas oitavas-de-final.
Resta saber agora o que não funciona no time inglês. Porque, uma seleção que tem como volantes Lampard e Gerrard, como meias Beckham e Cole, e no ataque Owen (ainda esperando pela volta de Rooney) só consegue marcar dois gols na fraca equipe de Trinidad & Tobago e não marca um gol sequer no Paraguai - visto que o 1x0 veio através de gol contra.
Sem dúvida, o meio-campo inglês funciona muito bem. Só por causa de Lampard, que abre o jogo. Porque Gerrard só tem sido eficiente em sua marcação; Beckham nos cruzamentos e o Cole ainda está devendo. Certamente, se os três passarem a acompanhar o ritmo de Lampard, o time inglês vai funcionar e a bola vai chegar redondinha aos pés de Owen - e, talvez, Rooney. Se isso acontecer, é melhor, como diria o Oasis, "se ajoelhar e rezar". Porque defesas vão entrar em Pânico...
E Lampard tem sido, nessa primeira semana de Copa do Mundo, o jogador com qualidades mais destacadas - sem dúvida.
Por Humberto FernandesAos trancos e barrancos a Inglaterra garantiu sua segunda vitória na Copa do Mundo, desta vez contra o aplicado time de Trinidad & Tobago.
O importante é ganhar, mas hoje os ingleses chegaram ao ponto de sua própria torcida gritar ?olé? durante trocas de bolas entre os trinitinos. Os fãs se irritaram com a maneira de jogar da seleção, que abusou dos cruzamentos, muitos partindo direto do meio-de-campo, sem explorar a linha de fundo. E assim o 0 x 0 persistia.
Principalmente no primeiro tempo, a Inglaterra não chutou a gol como na primeira partida, quando Gerrard e Lampard arriscavam a todo momento. Enquanto isso Trinidad & Tobago fazia seu jogo defensivo, atacando quando possível, também através de cruzamentos. E entrando duro nas divididas.
A melhor chance de gol do primeiro tempo não foi dos ingleses. Em uma bola cruzada na área inglesa, o goleiro Robinson saiu mal e se não fosse John Terry salvar quase em cima da linha, os trinitinos teriam comemorado o primeiro gol do país em Copas.
No segundo tempo a grande surpresa foi a entrada de Wayne Rooney, recuperado de contusão. Não mudou o panorama do jogo, mas para o jogador foi importante ganhar confiança em seu pé fraturado para a seqüência da competição.
A Inglaterra passou a jogar também pelo chão, e quando isso acontecia sempre resultava em finalização a gol, ao contrário das dezenas de cruzamentos desperdiçados. Nesse momento Lampard se destacou, chutando a gol, o que o resto do time não fazia. Gerrard e Beckham não apareciam ofensivamente, o que iria acontecer antes do fim do jogo.
Trinidad & Tobago apertava nos contra-ataques. Tivesse o time um pouco mais de competência poderia ter complicado ainda mais a partida para os ingleses. Foi aí que Beckham deu um passe longo para Crouch na área, que cabeceou para as redes, aos 38 minutos do segundo tempo.
Nos acréscimos, Gerrard ajeitou e desferiu um belo chute de fora da área, fechando o placar.
Após dois jogos, fica claro que o time inglês precisa aprender com os próprios erros para tornar-se mais eficiente para a seqüência da competição. Insistir com a jogada aérea para quando Crouch estiver bem posicionado vai cansar a paciência. Aliás, Crouch em campo já é um soco no estômago.